O Peru é o segundo país com maior quantidade de floresta amazônica despois do Brasil. Cerca de 60% de suas florestas são consideradas deste bioma, o que abrange um território de 782.880 km2 segundo dados do Instituto de Investigações da Amazônia Peruana (IIAP). Nesta superfície existem nove parques nacionais, a maioria abertos a visitantes. Na Reserva Nacional Tambopata e no Parque Nacional Manú estão algumas das iniciativas de ecoturismo de mais sucesso no país. Devido a seus atrativos naturais e culturais, o potencial turístico de ambas áreas protegidas tem sido bem desenvolvido nas últimas duas décadas.

Um dos encantos de Tambopata é a famosa “Colpa Colorada”, também conhecida como “Colpa das Araras”, onde diariamente se reúnem até 1700 araras e papagaios de diferentes espécies para consumir argila, o que faz com que esta zona - localizada entre a Reserva Tambopata e o Parque Nacional Bahuaja - seja um dos pontos turísticos mais importantes do globo. Manú não fica atrás. É popular internacionalmente porque pesquisadores acreditam que em suas selvas está o Paitití ou Cidade Perdida dos Incas, “certeza” de muitos que promove a chegada de turistas de diversos países a cada ano.

Turismo crescente

A tendência de realizar viagens a destinos com atrativos naturais tem feito o ecoturismo desta região crescer 15% por ano, mais do que em qualquer outro lugar do Peru. Prova disso é o que acontece na Reserva Tambopata, com visitação estimada em 12.800 pessoas anualmente. Entre julho e agosto, 40% dos visitantes vêm dos Estados Unidos. Em seguida vem Inglaterra (15%), Austrália (8%) e Espanha (6%) – as razões da viagem são quase sempre as mesmas: conhecer a floresta amazônica, seus encantos e o modo de vida das comunidades indígenas locais, além do interesse científico.

“Atualmente o ecoturismo beneficia comunidades que moram na floresta”, comenta Luis Mayta Huari, eco-guia de Rainforest Expeditions. Outro beneficio é que a biodiversidade dos parques nacionais da Amazônia peruana ganha em termos de conservação graças a concessões turísticas, o que também permite ao Estado arrecadar fundos que são posteriormente utilizados no manejo e na gestão de áreas protegidas em concessão.

O Peru é o segundo país com a maior quantidade de espécies de aves e o terceiro em mamíferos, dos quais 44% e 63%, respectivamente, habitam a floresta amazônica. Isso torna possível a geração de pesquisas e informação científica a respeito de espécies graças a teses e estudos de biologia nas áreas sob concessão turística – o que tem sido de grande valia para a ciência e a conservação.

Existem desafios, no entanto. Embora o ecoturismo tenha demonstrado ser uma atividade amigável com a natureza e de beneficio para a população local, existe uma pressão de ações ilícitas como a mineração e o cultivo da folha de coca perto de áreas naturais protegidas, o que prejudica e altera seu desenvolvimento. Somados a isso estão os 150 mil hectares de floresta desmatados anualmente, grande parte na Amazônia.

Tais perigos motivaram o governo peruano a lançar em 2008 um programa nacional com o objetivo de diminuir completamente o desmatamento até 2021. Esta iniciativa já existe na parte central da Amazônia, no departamento de Madre de Dios, uma das zonas mais afetadas e onde se paga às comunidades 10 soles (cerca de sete reais) por ano, por hectare conservado. Como parte do programa comunidades locais recebem apoio no acesso à saúde e à educação de seus filhos.

Valorizando a biodiversidade

Uma recente pesquisa realizada pelo Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (SERNANP) demonstra que 80% dos peruanos reconhece que o objetivo principal dos parques nacionais é a conservação da diversidade biológica, o que atesta o valor intrínseco destas áreas que, além de serem imensos reservatórios de vida natural, são ainda a herança mais importante da humanidade.


Pousada Amazonas

Uma das iniciativas de turismo verde de maior sucesso no Peru é a Pousada Amazonas, com capacidade para hospedar até 30 pessoas, localizada na comunidade de Infierno, na floresta do departamento de Madre de Dios, dentro da Reserva Nacional Tambopata. O negócio é participativo e resultado de uma iniciativa entre a empresa Rainforest Expeditions e as pessoas da comunidade local.

Para Kurt Holle, diretor executivo de Rainforest Expeditions, esta iniciativa teve sucesso porque devido ao turismo as comunidades estão cada vez mais preocupadas com a conservação da biodiversidade em seu ambiente natural. Transformaram-se, naturalmente, em guardiões da floresta. 60% do lucro que vem através de atividades turísticas vai para a comunidade e 40% para a Rainforest Expeditions.



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