A Amazônia brasileira depende da que está fora do Brasil, chamada “Amazônia andina”, por ser vizinha da cordilheira dos Andes. Apesar de representar 35% de toda a Amazônia, garante água e umidade a 65% da floresta que reside em solo brasileiro. Paradoxalmente, as pressões mais fortes à “Amazônia andina” vêm do Brasil.
Falo de grandes obras de infraestrutura como estradas interoceânicas e gigantescas represas para geração de energia. As empresas brasileiras, contratadas do próprio governo, implementam a “marcha ao oceano Pacífico”. A intenção do Brasil é exportar para a China.
Parte da solução é adequar as práticas dos maiores investidores na Amazônia andina: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do Brasil e a Corporação Andina de Fomento (CAF). Eles não se utilizam muito de instrumentos ambientais, a exemplo de outras instituições, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Nesse sentido, “o Brasil necessita de mais sensibilidade e consciência com a Amazônia fora de seu território”, disseram vários especialistas. Inclusive vozes brasileiras em algum momento foram dissonantes para a Amazônia andina. Por exemplo, Marina Silva, ex-candidata presidencial brasileira, afirmou que “o Brasil necessita exercer uma liderança fraterna”. “Não queremos liderança fraterna, mas colaboração fraterna”, comentaram extraoficialmente vários líderes da Amazônia andina, embora a considerem líder e um “exemplo de vida”.
Também foram conhecidas iniciativas ou soluções prometedoras que seriam convenientes de aplicar em toda a bacia amazônica. Uma delas é que os canais financeiros que apoiam iniciativas para não desmatar no Brasil cheguem ao resto dos países amazônicos. Outra é o monitoramento do fogo e do desmatamento em tempo real, realizado por instituições brasileiras sólidas tanto científica quanto financeiramente. A qualidade destas ações coloca estas instituições na mídia e exerce forte influência científica nas políticas públicas.
Também podemos mencionar o programa “Municípios Verdes”, que têm comprovadamente revertido o desmatamento. A iniciativa é municipal e conta com apoio dos governos estadual e federal. Também chamou atenção a rede de fiscais ou procuradores ambientais. Em nome do estado investigam e se convertem em acusadores públicos dos que cometem delitos ambientais.
No ano passado, em âmbito privado, destacaram-se as cadeias produtivas sustentáveis. Uma delas foi a carne, no estado do Pará. A iniciativa ajudou a frear o desmatamento ao revisar procedimentos e insumos, incluindo fornecedores. Além disso, se adaptou às exigências do mercado. “Só compro carne verificada e de rebanhos que não aumentaram o desmatamento amazônico”, pode ser o lema da maioria dos compradores finais.
Panamazônia
“
Amazonas 2030 ” demonstrou que a população pode influir mais que só como compradora final. A iniciativa monitora mudanças ambientais e da qualidade de vida na Amazônia colombiana. Além disso, intensas e efetivas alianças transfronteiriças locais estão acontecendo na região. Partem de problemas idênticos compartilhados e da histórica desatenção dos governos nacionais. Com uma clara visão panamazônica, governos e instituições locais atuam em colaboração recíproca e efetiva, sem burocracia, lentidão e protocolo dos governos nacionais.
Alguns instrumentos de proteção conseguiram interromper parcialmente o desenvolvimento geralmente vinculado a atividades ilegais. A Amazônia pode deixar de ser a maior mancha contínua de floresta do mundo. Uma das formas de proteção são as Áreas Protegidas, com suas diferentes categorias como a de “Parque Nacional”, entre as mais conhecidas. Os Territórios Indígenas e as Reservas da Biosfera são outras formas de proteção, com idênticos resultados.
Também foi visto o potencial de alguns instrumentos ou estudos técnicos para chegar a gerar políticas públicas adequadas. Um deles é “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, que mostra a situação social e ambiental da Amazônia. Outro instrumento foram os mapas da Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG). Integram diversos níveis de informação, permitem visualizar o estado atual da bacia e as tendências de pressão no futuro. A informação corresponde a uma avaliação informal de especialistas que são parte da Articulação Regional Amazônica (ARA), uma rede formada por quase 40 organizações da sociedade civil, com atuação em seis países amazônicos.