“O Brasil tem de mudar a atitude imperialista de querer mandar no Peru, no Equador, na Bolívia. Há necessidade de um esforço conjunto, de pensar além das fronteiras”. A opinião é de João Meirelles Filho, diretor do Instituto Peabiru e colunista de OEcoAmazonia.

No final de setembro, a instituição apoiou e participou do Seminário Regional sobre Economia Verde da Amazônia, em Belém (Pará). De lá saiu um texto com a posição do norte do país sobre o desenvolvimento sustentável necessário para a região. As propostas ainda não estão totalmente fechadas e em breve serão apresentadas ao governo federal com vistas à Rio +20. Com voz mansa e posições firmes, Meirelles avaliou o evento e falou sobre o papel do governo em relação à Amazônia.

Qual o seu balanço do seminário?

Houve boa representatividade de movimentos sociais, entidades empresariais, indígenas, quilombolas e ONGs de todos os estados da Amazônia brasileira, com exceção de Roraima. Não foi um evento único, ele fez parte de um esforço contínuo para pressionar a opinião pública para questões da Amazônia.

Em sua opinião, quais são os destaques do texto elaborado?

Há as questões de base, como a fundiária, que gera violência no campo; a falta de governança, que causa desmatamento; a insegurança, que afasta o investimento de empresas; a falta de transparência pública. O governo ignora que grandes obras necessitam maior reflexão, pois impõe uma agenda e um cronograma sem discuti-los.

O governo brasileiro ainda não dá a devida atenção à Amazônia?

Falta a atenção do Estado, divisão de recursos proporcional à dimensão e fragilidade dos vários contextos da Amazônia. Não é que não existam planos, mas eles não são executados. O [programa] Território da Cidadania, por exemplo, que começou quando a presidente Dilma Rouseff ainda estava no ministério da Casa Civil, é uma excelente proposta que está parada.

Qual é o caminho para o desenvolvimento sustentável na região?

O caminho está em fortalecer atores locais, associações comunitárias, governos regionais e federais, empresários locais para que todos possam dialogar, negociar e respeitar-se em relação aos direitos básicos da cidadania. A Amazônia precisa ser ouvida, respeitada. O Brasil tem de mudar a atitude imperialista de querer mandar no Peru, no Equador, na Bolívia. Há necessidade de um esforço conjunto, de pensar além das fronteiras e transformar preservação em recurso financeiro.


Rio + 20

Entre os dias 4 e 6 de junho, líderes dos 191 países que fazem parte da ONU, além de representantes de vários setores da Organização, se reunirão no Rio de Janeiro na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, vinte anos depois da Eco 92. Um dos encontros mais importantes do mundo para discutir a sustentabilidade no planeta. A Amazônia, maior floresta do globo, é pauta essencial das discussões.



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