Projeto do Equador para preservar uma das mais diversas regiões do planeta parece começar a tomar forma três anos depois de anunciado pelo presidente do país, Rafael Correa. Com vistas à Rio+20, a proposta Yasuní - Ishpingo, Tambococha e Tiputini (Yasuni-ITT), que pede à comunidade internacional que arrecade metade do que o país ganharia com a extração de petróleo da reserva Yasuní, na Amazônia equatoriana, foi discutida pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica há uma semana em Brasília.
O parlamento alemão também colocou o Yasuní-ITT na agenda de uma reunião que deve acontecer hoje, dia 24. O país era um dos principais parceiros na iniciativa, mas recuou na proposta de doar 50 milhões de dólares ao ano em julho último. A vontade de retomar o tema deixa esperança. Some-se a isso a declaração do secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon, no final de setembro, a respeito do assunto. “Espero que vocês levem uma mensagem: desenvolvimento sustentável é possível, só é preciso liderança, criatividade e comprometimento”.
Até agora o fundo arrecadou mais de 1,8 milhões de dólares com doações do Chile, Espanha, fundações e indivíduos. Outros 54 milhões foram prometidos, a maior parte pela Itália, que se comprometeu a doar 50 milhões. A meta é chegar a 100 milhões até o fim do ano. Caso contrário, concessões para exploração podem vir a ser dadas. "Sem dúvida, esta iniciativa tem os elementos técnicos necessários para ser bem sucedida. Se a exploração de petróleo for efetivada, causará impactos ao meio ambiente e às pessoas que vivem lá e isso dependerá muito da forma como a exploração for feita - se haverá construção de estradas, como os poços operariam, como seria feito o transporte de petróleo, onde ele seria processado, entre outras coisas", diz Veronica Quitigüiña, da Finding Species.
Ao mesmo tempo em que as discussões a respeito do assunto tornam-se mais expressivas, um grupo de 13 cientistas de diversos países, em ação colaborativa com a organização Finding Species, divulgou no final de setembro o que seria um novo mapa a respeito da biodiversidade do Yasuní.
O estudo comprova que o local é o mais rico do hemisfério oeste em termos de mamíferos, anfíbios, pássaros e plantas. 655 espécies de árvores foram encontradas em um único hectare – área onde também é possível encontrar mais de 100 mil tipos de insetos. 271 espécies de répteis e anfíbios existem na região, maior número já registrado em um único lugar do planeta. “Este pequeno local da Amazônia atinge não somente pico de diversidade de plantas, mas também dos outros três principais grupos biológicos. Merece ser prioridade global de conservação”, afirma Cliton Jenkins, coordenador do mapa e pesquisador da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.
“O Yasuní hipnotiza. Pode ser que outras regiões tenham riqueza similar, mas concluímos que lá é onde está a maior diversidade”, complementa o cientista Christian Voigth, do Instituto Leibniz de Pesquisa de Vida Selvagem, na Alemanha, que há 15 anos estuda o Yasuní. Ele defende que a área deve ser conservada também por razões econômicas, ao citar o sequestro de carbono e o quanto a biodiversidade poderia ajudar na fabricação de remédios. “Precisamos pensar na humanidade”, diz.
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