O ensaio fotográfico a seguir é uma seleção de belíssimas imagens dos rios que compõem a bacia do Juruena, no Mato Grosso. A maioria foi tirada há 8 anos, quando muitas áreas nas beiradas desses rios ainda estavam íntegras. Hoje, as maiores agressões são motivadas por desmatamentos para lavouras de soja no Chapadão dos Parecis, fazendas de gado e barramentos de centrais hidrelétricas.
Depoimento da autora:
"Quando conheci o rio Juruena pela primeira vez em 2003, fiquei apaixonada. É um rio, como o Araguaia, que mora no meu coração. Porém, são rios bastante diferentes. O Araguaia, com suas belíssimas praias e sua luz toda especial, que faz com que tem um imenso número de fãs que frequentam o rio todo ano durante a estação seca. Além disso, o Araguaia hospeda muitas cidades e assim vira a paixão de todos seus ribeirinhos.
O Juruena fica em outra classe: é (ou pelo menos, era) um rio selvagem. Quando tive a oportunidade de sobrevoar longos trechos do Juruena em 2003 e 2004, fiquei maravilhada com suas águas cristalinas, azuis, cortando exuberantes florestas intocadas. Eram muito poucas as estradas que chegavam à beira do rio, e raras as fazendas que haviam tirado o verde do cenário. Hoje, menos de uma década mais tarde, a situação é outra. Como não há uma cidade sequer na beira do rio, e como o acesso ainda é difícil e distante, o Juruena não tem milhares de fãs que o conheçem e o defendem - como é o caso do Araguaia. Desta forma, na calada da noite, as PCHs (que não tem como objetivo "fornecer energia para populações carentes" ou lemas parecidas que temos que engolir, mas sim a finalidade de ganhar dinheiro fácil) vão sendo instaladas ao longo deste rio tão escondido. Só em algum momento no futuro distante é que as pessoas vão olhar para estas velhas imagens e dizer: "como é que tiveram a falta de sensibilidade de fazer isso com uma jóia tão rara e tão preciosa?" Hoje, a gente pensa justamente isto ao olhar uma foto do inofensivo dodó que, coitado, nem sabia voar. O Juruena também não sabe voar, nem mudar seu curso para fugir dos donos do concreto e das motosserras. "
Margi Moss é fotógrafa. Ao lado de Gérard Moss, participa do projeto Brasil das Águas que retratou do ar água dos principais rios brasileiros, e mais recentemente, do transporte de umidade da Amazônia até o resto do país pelos rios voadores. Veja mais no Brasil das Águas , Rios Voadores e Mundo Moss.
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