Fabio Stephans
30 de Julho de 2010
Como ocorre todos os anos nesta época do ano, a Amazônia boliviana queima. E não só por causas naturais, mas por interesses que não têm nada de natural. Estamos no final do mês de julho, na temporada de incêndios florestais: a quantidade de focos de calor cresce a cada dia.
A queima de pastagens começa em maio e chega ao período crítico entre agosto e outubro. O fogo é utilizado para limpar áreas agrícolas ou para estimular o crescimento de novas pastagens. Mas o uso indiscriminado e de forma ilegal provoca grandes incêndios que queimam a floresta ao redor, aproveitando a grande massa vegetal seca existente.
Focos de calor por região e ano
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2005
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2006
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2007
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2008
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2009
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2009
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| Bolívia |
4437
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4849
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21496
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18835
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8351
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1336
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Amazônia boliviana
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4304
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4723
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20817
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18151
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7766
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1320
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Fora Amazônia boliviana
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133
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126
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679
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684
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585
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16
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Fonte: Satélite NOAA-15
A Amazônia boliviana –que inclui aproximadamente a metade da superfície da Bolívia e com mais de um milhão de habitantes- tem como principais atividades econômicas a agricultura, a pecuária, o aproveitamento florestal e uso de produtos florestais não madeireiros, como a castanha-do-pará, iguaria cuja exportação mundial é liderada pelos bolivianos.
Conforme Robert Munhoz, técnico da Autoridade de Fiscalização e Controle Social de Florestas e Terra (ABT) da Bolívia, estabelecer a origem dos focos de calor na parte amazônica do país e nas demais zonas, é algo muito complicado. Porém, é comprovado que as mãos do homem são as causas principais dos focos de calor, eja pelas fogueiras mal apagadas ou cigarros jogados na floresta por caçadores ou pescadores; pela expansão da fronteira agrícola. Causas naturais, como por um raio, são mínimas.
O desmatamento e os incêndios são as principais ameaças para os ecossistemas amazônicos da Bolívia, sendo que anuamente são desmatados cerca de 400.000 hectares para permitir novas áreas agrícolas ou para a pecuária.
O caso do uso do fogo por pecuaristas e agroindustriais tem um caráter de exploração dos recursos naturais, onde são afetadas enormes extensões de florestas e savanas com fins agropecuários, ampliando os cultivos ou aumentando as zonas de pastagem para o gado. Os incêndios florestais sacrificam não só os bosques e a biodiversidade, mas também tem um efeito completamente negativo para as economias produtivas, para o comércio, a saúde humana e animal.
Monitoramento e desflorestamento
Tomando em conta o desmatamento para abrir mais espaços para a agricultura é que a ABT trabalha na detecção e monitoramento de áreas desflorestadas de maneira ilegal, algo que tem uma estreita relação com os incêndios florestais. Através deste trabalho, só no departamento de Pando, no norte da Amazônia boliviana, foram detectados no ano passado 7.000 hectares desflorestados sem cumprir com os requisitos legais, comenta Munhoz.
Mas também existem outras instituições que estão interessadas no monitoramento e busca de soluções para os incêndios florestais na Amazônia boliviana. Conservação Internacional (CI) e CARE Bolívia, através de uma aliança com os governos do departamento de Pando e da cidade de Cobija, realizam um monitoramento anual dos focos de calor e desflorestamento na região para conhecer o estado de conservação da floresta amazônica, explica Juan Carlos Ledezma, coordenador de Serviços Ambientais da CI.
A aposta é que com o conhecimento gerado será possível trabalhar e contribuir para a diminuição e mitigação dos impactos causados pelo fogo. Assim, poderá se chegar a uma compreensão mais profunda sobre o fogo, descobrindo mais sobre seu uso e manejo na Amazônia, e propondo novas alternativas para a população local e para a região.
Depois do anos 2007 e 2008 , em que os incêndios afetaram todo o país, tanto a ABT como a CI adotaram novas ferramentas de detecção e controle de incêndios florestais. Houve também por parte do primeiro, o endurecimento das penas aos responsáveis, o que ajudou a baixar o número de queimadas.
Não é uma mudança de um dia para o outro, é um processo, já que é também uma aprendizagem para as pessoas e instituições sobre como realizar suas queimadas de uma forma com menos impactos. Porém, este ano em que as queimadas começaram mais cedo, ainda existe a esperança de que haja uma diminuição de focos de calor, comparado com o ano passado.
Focos de calor na Bolívia
A seguir, mostramos mapas da Bolívia com focos de calor distribuídos entre a Amazônia boliviana e fora dela. Dados proporcionados pelo
Centro de Previsão do Tempo y Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).