Giovanny Vera Stephanes

Indígenas do Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), na Bolívia, anunciaram o inicio de mobilizações como medidas de resistência à construção da estrada Villa Tunari – San Ignacio de Moxos. A obra novamente ameaça dividir seu território logo que a Assembleia Legislativa Plurinacional do país aprovasse o Projeto de Lei 0345, que ratifica o contrato de colaboração financeira assinado entre a Bolívia e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do Brasil para a construção da rodovia.

“A estrada, que atravessará o parque nacional em sua zona mais frágil, terá um enorme custo socioambiental e também econômico (U$ 332 milhões financiados por Brasil, de um total de U$ 415 milhões), além de ser uma ameaça para as etnias indígenas que moram na região”, explica Ángela Nosa, comunitária e ex-dirigente da Central de Povos Étnicos Moxenhos do Beni (CPEMB). Em 2010 os povos Moxenho, Yurakaré e Tsimane já haviam decretado sua “rejeição contundente e inegociável à construção da rodovia Villa Tunari – San Ignacio de Moxos” em um Encontro de Líderes Regionais. No entanto, como afirma Nosa, “o governo tem invisibilizado a presença e a decisão dos indígenas do parque e não leva a sério o mandato de sua nova lei contra o racismo e a discriminação”. A partir de maio serão realizadas reuniões com comunidades do TIPNIS para tomada de decisões sobre as medidas a assumir, caso a Assembleia Legislativa não retroceda.

Os povos indígenas afirmam que não foram consultados e reclamam sua participação e consulta sobre o projeto da estrada. “Queremos respeito por parte do governo aos nossos direitos”, reclama Ángela Nosa, ao indicar que nem sequer foram informados sobre o impacto ambiental que a rodovia implicaria. “As comunidades da zona estão em alerta. Nosso habitat está ameaçado, somos conscientes de que este projeto impactará todos os recursos, a biodiversidade e implicará o deslocamento forçado dos comunitários”, afirma Nosa. Ano passado, ao final do IV Encontro Trinacional de Indígenas da Bolívia, Brasil e Peru, foi pedido que o governo boliviano desistisse da construção da estrada que uniria Villa Tunari a San Ignacio de Moxos.


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