Written by María Clara Valencia
Friday, 11 November 2011 12:48
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No meio da infertilidade das baixas concentrações de nutrientes que caracterizam os solos amazônicos, arqueólogos e botânicos têm começado a encontrar terra preta de grande fertilidade no lado colombiano. A descoberta, realizada na zona de La Pedrera e Araracuara, em Caquetá, é bastante interessante porque estas terras não são naturais da região - foram criadas por comunidades primitivas há mais de cinco mil anos com o objetivo de realizar agricultura intensiva e garantir a sobrevivência de altas concentrações humanas.
O recente descobrimento na Colômbia é importante por sua antiguidade, já que descobrimentos anteriores de terra preta no Brasil perto de Manaus datavam de 2.500 anos. “Pesquisar o tema é importante para aprender do passado e ver o quanto podemos replicar suas descobertas hoje em dia”, enfatiza.
Recentemente, na região brasileira de Rondônia (limites com a Bolívia) pesquisadores encontraram terra preta com até 7 mil anos, o que inevitavelmente gerou novas perguntas aos pesquisadores: quando e como começou a agricultura na Amazônia? Isso tem alguma coisa que ver com a existência da terra preta? “Estes descobrimentos abrem mais espaços para pesquisa. Queremos que existam muitos grupos estudando a fertilidade e a produtividade dos solos colombianos e da região amazônica”, afirma Morcote.
Produção da terra preta
Hoje, porém, quando o planeta vive os efeitos das mudanças climáticas com o problema da crise na produção de alimentos, ainda não é possível determinar como estas terras com altas concentrações de nutrientes foram criadas. Elas não são replicáveis, pelo menos até o momento. “Existe composto ou húmus, mas isso é diferente. Se pudéssemos produzi-las, poderiam servir como alternativa para incrementar a produtividade das colheitas e recuperar solos degradados”, disse Gaspar Morcote, pesquisador e líder do grupo Povos e Ambientes Amazônicos da Universidade Nacional da Colômbia.
“90% dos solos amazônicos têm baixas concentrações de nutrientes e isso faz com que a agricultura intensiva na região seja desastrosa para o ecossistema e para as populações humanas. O cenário poderia ser diferente se soubéssemos fazer a terra preta”, afirma. Neste momento, o grupo de pesquisa está focado em saber quais plantas estavam sendo implementadas nestas terras pretas e quais elementos causam sua fertilidade.