Após passar pela maior seca já registrada, quando chegou à cota de 13,63 metros no final de outubro, o rio Negro continua com níveis abaixo da média para esta época do ano. Imagens de satélite divulgadas pela Agência Espacial Americana (Nasa) indicam que no início de dezembro o nível dos rios próximos a Manaus (AM) continuam baixos em comparação a outros anos.

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As imagens foram obtidas pelo sistema MODIS, que capta tanto a luz visível quanto a infravermelha, uma combinação que destaca a presença de água no solo. A imagem superior é de 10 de dezembro de 2010, e a inferior de 9 de dezembro de 2008. 

O rio Negro se destaca pela suas águas escuras, que carregam poucos sedimentos. Em azul escuro, está o Solimões em o Amazonas. O Encontro das  Águas que começa em frente a Manaus (em castanho claro no mapa) fica bem evidente nas imagens. A noroeste de Manaus, a diferença mais evidente é na extensão maior do Arquipélago de Anavilhanas, que aparece como um trançado de canais ao longo do rio Negro. O rio ficou também mais estreito, com a formação de extensas praias de areia próximas à capital do estado.
Essas praias impediram a navegação em afluentes do rio Negro, como o Tarumã, deixando dezenas de comunidades isoladas durante o período mais intenso da vazante.

Ao longo do rio Solimões é possível também verificar alterações. O lago de Manacapuru, de águas escuras na parte inferior da imagem, está bem definido em 2008, enquanto que neste ano perdeu boa parte de seu tamanho. Outros lagos ao Sul do rio Solimões também ficaram e continuam menores este ano. A maior vazante no rio Negro vem apenas 16 meses após o rio ter atingido um recorde de 29,77 metros, inundando Manaus, em uma cheia que teve reflexos também em várias cidades do interior.

De acordo com a Nasa, tanto a seca deste ano quanto a de 2005, também rigorosa, estão relacionadas a temperaturas do Oceano Atlântico Tropical, que estiveram mais quentes do que o normal durante a maior parte deste ano. A água aquecida provocou mais chuvas no Norte do planeta, mantendo a Amazônia mais seca. A baixa umidade e s altas temperaturas acompanhadas da seca ocasionaram também grandes incêndios e má qualidade do ar na região amazônica. (Vandré Fonseca)

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